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terça-feira, 16 de abril de 2019

Quebrando as correntes da injustiça

O livro de Isaías retrata uma época de muita destruição, perversão e corrupção em Israel, sendo isso facilmente visto no capítulo 57, onde Deus mostra o quanto o povo se perdeu em sua rebeldia e obstinação por andarem em seus próprios caminhos.  Ainda assim, no capítulo 58, o Senhor descreve que Israel era muito devoto e religioso, com aparência de nação que buscava a Deus. Apesar disso, o Senhor não os respondia. Vendo o clamor das pessoas por terem suas orações aceitas, o Senhor com sua misericórdia começa a trazer luz sobre o porquê apesar de tanta devoção, humilhação, jejuns extravagantes, eles não eram respondidos. Ele explica que suas mentes estavam entorpecidas e a injustiça tinha se tornado cultural, a ponto de acharem Deus injusto por não respondê-los.

Fazendo paralelo com os dias de hoje, apesar dos milhares de anos que separam aquela geração da atual, é exatamente esse cenário que encontramos. Somos uma geração, um povo extremamente devoto: as igrejas estão lotadas, os congressos e conferências mais cheios ainda; as pessoas estão orando, jejuando, dizimando, e fazendo campanhas após campanhas. Não que isso esteja errado, mas certamente só isso não é garantia de proteção nos relacionamentos e circunstâncias, pois ainda vemos que o cenário é de destruição e desolação: as famílias estão destruídas, divórcios numéricos, suicídios como nunca (inclusive de muitos líderes religiosos), filhos sem pais (e quando os possuem são órfãos de pais vivos), e esposas/maridos abandonados (viúvos de cônjuges que moram juntos).

Da mesma forma que Deus respondeu ao questionamento de Israel, Ele nos responde hoje também. O Senhor nos diz que apesar de nossa grande devoção, somos uma geração que só faz o que quer! 

“‘Por que jejuamos’, dizem, ‘e não o viste? Por que nos humilhamos, e não reparaste?’ Contudo, no dia do seu jejum vocês fazem o que é do agrado de vocês (…) Vocês não podem jejuar como fazem hoje e esperar que a sua voz seja ouvida no alto.” (Isaías 58:3-4)

O “Eu quero” é o que nos guia! Somos uma geração guiada pelo nosso ventre, e pelo senso de direito. Um povo que vive em função do gozo a qualquer custo! Achamos que temos o direito de viver como queremos, e que não haverão consequências. Temos todos os argumentos possíveis: “Trabalho muito, e trabalho é para isso mesmo.”, “A vida é muito curta, tenho que aproveitá-la ao máximo possível do meu jeito.”, “Se eu não pensar em mim, quem vai pensar?!”, “Posso viver do jeito que eu quiser, posso gostar disso ou daquilo, pois é lícito, eu tenho DIREITO!”. 

É justamente aí que surge a injustiça que Deus traz a luz em Isaías 58. O Senhor explica que apesar de toda a devoção em jejuns e orações, o que Ele considera como verdadeira devoção, verdadeiro jejum, não é simplesmente a liturgia; o jejum que Ele quer é prático, é no dia a dia: é “soltar as correntes da injustiça.”

"O jejum que desejo não é este: soltar as correntes da injustiça, desatar as cordas do jugo, pôr em liberdade os oprimidos e romper todo jugo?” (Isaías 58:6)

E o que é soltar as correntes de injustiça? Em Isaías, Deus diz que soltar as correntes da injustiça é “compartilhar sua comida com o faminto, abrigar o pobre desamparado, vestir o nu que você encontrou e não recusar ajuda ao próximo” (Isaías 58:7).

Trazendo para a prática de nossa vida, a injustiça é nos retermos das pessoas, principalmente os da nossa casa (“Mas, se alguém não tem cuidado dos seus, e principalmente dos da sua família, negou a fé, e é pior do que o infiel.” 1 Timóteo 5:8). O quebrar as correntes da injustiça é remover a injustiça em relação a um filho que busca se “alimentar” de seus pais em afeto, tempo, compromisso, direção, correção, e que nada encontra de suprimento, pois seus pais já se doaram em tudo para o trabalho, amigos, igreja, lazer, e o que sobrou desses pais é guardado para si mesmo: seu descanso, conforto e direitos. Filhos famintos que só encontram migalhas dos pais, isso quando encontram algo. Há também as esposas que estão morrendo de fome, porque a única coisa que conseguem do marido é dinheiro, e não atenção, carinho, conversa, ajuda em suas dificuldades emocionais, ajuda na criação dos filhos. Marido faminto por esposa com quem possam compartilhar suas angústias e dificuldades, e encontram apenas sugadoras cheias de si mesmas, que enxergam apenas o seu lado no casamento, não sendo auxiliadoras.

Quebrar a corrente da injustiça nos fala de filhos e esposas que buscam abrigo e amparo para sua alma, suas emoções, diante de tantas tempestades da vida e só encontram homens arrogantes e autoritários, que vivem como se o mundo girasse em volta deles, e  entendem que sua família está ali para servi-los e não atrapalhar os seus planos. E também maridos que se sentem desamparados, pois nos momentos de crises e dificuldades não encontram compreensão e apoio da esposa, e têm que passar pelas situações sozinhos. Muitas vezes esses pais/cônjuges são a própria causa das tempestades que vêm sobre a família, pois são mimados e egoístas, determinando que tudo o que vivem e têm é para fazê-los felizes, e nisso estão dispostos a sacrificar o próprio lar, tornando-o um inferno para todos.

Quebrar as correntes da injustiça da nudez, aponta para a família que está com suas vergonhas expostas diante de todos, como por exemplo a vergonha de uma esposa que tem marido, mas vive como viúva. A vergonha de ver os pais/cônjuge que são um sucesso no trabalho, empresa, igreja, estudos e etc, mas em casa, deixam a família desabrigada, desamparada, faminta e nua diante de todos. A vergonha de uma esposa que não tem o marido para compartilhar seu dia a dia, suas crises, suas alegrias, porque este cônjuge chega em casa e a única coisa que quer é ter todos os problemas resolvidos para ter paz e sossego, afinal, trabalhou para colocar comida na mesa e pagar as contas. Maridos que demonstram amor apenas fora de casa, mas em casa só entregam indiferença, pois têm direito ao “descanso merecido”. A vergonha de um marido que tem uma esposa controladora e manipuladora, querendo tudo apenas do seu jeito, e só vivendo para satisfazer suas futilidades; e diante das crises e frustrações desonra e difama seu marido. Vergonha de filhos que embora tendo pais vivos, vivem como órfãos, abandonados, sem direção, criados por outra pessoa da família, porque seus pais estavam ocupados demais para assumir a responsabilidade sobre eles, ou priorizaram seu lazer e conforto, não aceitando as mudanças que um filho acarreta na vida de qualquer pai ou mãe. A vergonha das feridas expostas através de todo tipo de enfermidade emocional e psicológica que existe hoje. 

Quebrar as correntes da injustiça na família nos fala também sobre ser para ela ajuda e suporte em suas dores, dificuldades, crises e necessidades. Isso só ocorre quando é quebrada a injustiça de pais/cônjuge que de tão cheios de si mesmos, nunca estão disponíveis para serem o suporte e a ajuda que a família necessita. Pais que querem ser eternos adolescentes com direitos a baladas, bares, cinemas, tv, tempo as sós; mas não querem a responsabilidade, o compromisso com o filho, o estar junto, do tempo de ócio, do tempo de correção, das conversas à toa que os fazem se sentir preciosos e gera a certeza de poder contar com seus pais em tudo, até mesmo nos assuntos importantes. Filhos que não têm pais participativos e presentes para contar histórias e expor assuntos sobre a vida, gerando identidade, responsabilidade e compromisso. Se um filho não consegue ter pais presentes no momento comum, não confiarão nesses pais para contar algo relevante, porque já entenderam que sua vida não é importante dentro de casa e que não podem contar com eles.

Deus ama seu povo e tem compromisso com ele, por isso não os desamparou: “Mas o povo que vivia nas trevas viu grande luz; sobre os que viviam na terra da sombra da morte raiou uma luz!” (Mateus 4:16). O Pai nos enviou a Justiça d’Ele: O Sol da Justiça, a Estrela da Manhã, Seu filho amado Jesus Cristo. Ele veio para que sejamos livres de todas correntes da injustiça, e consequentemente nossa casa também. Essa é a Justiça de Deus: “ ...que Cristo nos amou, e se entregou a si mesmo por nós…” (Efésios 5.2) “Que Jesus veio não para fazer sua própria vontade, mas para fazer a vontade do Pai.” (João 6:38); que Ele nos deu a Si mesmo, por completo, para que por Ele não tenhamos mais fome, nem sede, nem nudez, nem desamparo, nem falta de abrigo. “Tomando o pão, deu graças, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: "Isto é o meu corpo dado em favor de vocês; façam isto em memória de mim". Da mesma forma, depois da ceia, tomou o cálice, dizendo: "Este cálice é a nova aliança no meu sangue, derramado em favor de vocês.” (Lucas 22:19,20)

Ele foi o primeiro, para que possamos também ser filhos de Deus, irmãos de Cristo e sermos como Ele. “Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai.” (João 14:12). Jesus foi o primeiro a partilhar a si mesmo, sua própria carne e sangue para que possamos comer e beber d'Ele. Jesus foi o primeiro para deixar o testemunho e nos capacitar a exercermos justiça para com relação ao nosso próximo, principalmente os da nossa casa. Ele nos capacita a dar-nos a nós mesmos, compartilhar de nós mesmos uns com os outros, não simplesmente o que temos, mas o que somos, sem reserva, assim como Cristo compartilhou d’Ele mesmo conosco. 

“Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me; Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e foste me ver. Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber? E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? ou nu, e te vestimos? E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te? E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.” (Mateus 25:35-40)

O sentido da vida não está nas coisas, e nem em nós mesmo, mas sim no outro! Em Jesus, temos tudo o que precisamos para sermos livres de toda injustiça que nos prende, para que Nele, possamos remover a injustiça sobre aqueles que amamos.

Fazendo Justiça, como Cristo fez Justiça, seremos vistos, ouvidos, socorridos para que mais e mais Justiça seja feita enquanto vivermos. “Aí sim, a sua luz irromperá como a alvorada, e prontamente surgirá a sua cura; a sua retidão irá adiante de você, e a glória do Senhor estará na sua retaguarda. Aí sim, você clamará ao Senhor, e ele responderá; você gritará por socorro, e ele dirá: Aqui estou.” (Isaías 58:8,9)

Geraldo Júnior e Valéria Morais
Transformados pela Renovação do Pensamento
https://renovacaodopensamento.blogspot.com.br/

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Cadê a justiça de Deus em nossas vidas?!


Uma das maiores dores que sofremos durante a vida são as injustiças. É difícil lidar com elas. Tão difícil que muitas vezes nos defendemos delas por conta própria, e as situações só pioram. Muitos relacionamentos acabam e até tragédias acontecem dentro desse ciclo da injustiça, e da reação do injustiçado se defendendo.  

Quando entendemos que o Senhor é a nossa justiça (Salmo 103:6), tentamos deixar de reagir por conta própria às injustiças e levá-las a Deus, crendo que Ele fará justiça por nós. Ele mesmo prometeu que bem aventurados são aqueles que têm fome e sede de justiça, pois eles serão saciados (Mateus 5:6). Mas na vida, não é isso que vemos dia após dia, muito pelo contrário. São injustiças após injustiças, que nos ferem e nos machucam, por anos e anos, talvez até durante a vida toda, e na prática, não vemos a tão esperada justiça sendo feita. Mas se Jesus fez essa promessa, por que não somos saciados na nossa fome e sede de justiça? 

O problema está no nosso conceito de justiça, que é corrompido. Ele é baseado na nossa justiça própria, que por sua vez é fundamentada no nosso orgulho, arrogância e prepotência de achar que sabemos o que é bom para nós mesmos e para as pessoas. O nosso conceito de justiça é carregado de reivindicações, tanto em relação à Deus quanto às pessoas. No fim, atribuímos dívidas e acusações às pessoas, e só conseguimos ver justiça se essas pessoas pagarem ou sofrerem por aquela dívida/ofensa de qualquer forma que seja, porque na verdade não queremos justiça, queremos vingança. 

Mas não é assim a Justiça que vem de Deus. A Justiça de Deus é que Jesus veio ao mundo, se entregou à morte numa Cruz para nos salvar e nos perdoar de todo pecado e de toda injustiça que cometemos:
“Mas agora se manifestou sem a lei a justiça de Deus, tendo o testemunho da lei e dos profetas; Isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que crêem; porque não há diferença. Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus. Deus o ofereceu como sacrifício para propiciação mediante a fé, pelo seu sangue, demonstrando a sua justiça. Em sua tolerância, havia deixado impunes os pecados anteriormente cometidos; mas, no presente, demonstrou a sua justiça, a fim de ser justo e justificador daquele que tem fé em Jesus.” (Romanos 3:21-24).
“Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.” (Romanos 8:29). 
Nisto Ele também nos ensinou como fazer Justiça, ou seja, perdoando e removendo as reivindicações sobre as pessoas. Assim, se não existe mais acusação e reivindicação sobre a pessoa que cometeu a injustiça, aquela injustiça não mais subsiste, havendo assim Justiça!

Desta forma podemos ver que Jesus tem cumprido o que Ele nos prometeu, que quem tem fome e sede de Justiça será saciado quando se perdoa as ofensas e remove as reivindicações “E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores” (Mateus 6:12). Ele mesmo fez Justiça por nós na Cruz, e continua nos perdoando e sendo misericordioso dia após dia. E ainda ensinou Seus filhos a fazer Justiça por toda terra, perdoando uns aos outros, saciando assim nossa fome e sede de Justiça.


Geraldo Júnior e Valéria Morais
Transformados pela Renovação do Pensamento
https://renovacaodopensamento.blogspot.com.br/

sexta-feira, 6 de abril de 2018

A Arrogância de Jonas


Jonas foi um profeta israelita da tribo de Zebulom. Ele era amado por Deus e tinha um conhecimento significativo sobre Deus.

“E orou ao Senhor, e disse: Ah! Senhor! Não foi esta minha palavra, estando ainda na minha terra? Por isso é que me preveni, fugindo para Társis, pois sabia que és Deus compassivo e misericordioso, longânimo e grande em benignidade, e que te arrependes do mal”. Jonas 4:2

Ainda assim, Jonas tinha o entendimento equivocado sobre a vida, sobre ele mesmo, e sobre o seu propósito, pois não os compreendia segundo o pensamento de Deus. Ele não concordava com o agir de Deus, e isso gerava uma crise interna muito grande nele. Mas porque Jonas pensava assim, a ponto de discordar de Deus? Pois bem, vamos entender neste texto o que Deus expõe sobre o comportamento e pensamento de Jonas, e o que ele cria sobre a vida.

Logo no início do livro de Jonas, o Senhor o envia a Nínive. Deus queria que ele proclamasse ao povo de Nínive que se eles não se arrependessem de sua maldade Ele iria destruí-los.
“A palavra do Senhor veio a Jonas, filho de Amitai com esta ordem: ‘Vá depressa à grande cidade de Nínive e pregue contra ela, porque a sua maldade subiu até a minha presença’". Jonas 1:1,2

Nínive era uma das cidades inimigas de Israel, sendo o povo desta cidade, extremamente violento e cruel, de fama conhecida. Para se ter uma ideia depois de suas vitórias em guerra, estavam acostumados a cortar as mãos e os pés, os narizes e as orelhas, furar os olhos e a fazer pirâmides com as cabeças humanas. Na Bíblia, o profeta Naum testifica sobre isso quando diz: “Ai da cidade sanguinária, repleta de fraudes e cheia de roubos, sempre fazendo as suas vítimas!” Naum 3:1

Óbvio que Jonas sentia medo e raiva daquele povo. Mas o que realmente incomodou e deixou Jonas irritado com Deus, foi a possibilidade daquela cidade ser salva!  Dentro dos conceitos de Jonas e sua justiça própria era inconcebível que Nínive tivesse chance de salvação. Mesmo que essa oportunidade viesse de Deus, Jonas queria vingança, vendo essa cidade totalmente destruída. Como resposta à esse desejo de vingança, Jonas foge da direção de Deus. Essa fuga, além de ser uma fuga de seu propósito e uma desobediência à Deus foi um levante contra o Senhor, sendo uma clara mensagem à Deus: “Não concordo com Sua vontade! O Senhor está sendo injusto e um Deus ruim, e se eu fosse Deus eu faria diferente!”

Nisto Jonas manifestou seu conceito leviano e deturpado de vida, juntamente com toda sua arrogância e orgulho em achar que sabia o que era melhor para si e para as pessoas. Essa arrogância era tão grande que ele aceitou abrir mão de seu propósito para sustentá-la. E ele fugiu para o mar.

“Porém, Jonas se levantou para fugir da presença do Senhor para Társis. E descendo a Jope, achou um navio que ia para Társis; pagou, pois, a sua passagem, e desceu para dentro dele, para ir com eles para Társis, para longe da presença do Senhor.” Jonas 1:3

Mas Deus amava Jonas e queria salvá-lo de sua perspectiva corrompida e pervertida da vida. Deus queria mostrar que nossa vida só faz sentido e só somos transformados quando seguimos nosso propósito dado por Deus. “Queridos irmãos, vocês sempre seguiram cuidadosamente as minhas instruções quando eu me encontrava no vosso meio. E agora, quando estou ausente, devem ainda com maior cuidado desenvolver nas vossas vidas a salvação de Deus, obedecendo-lhe com profunda reverência e temor.” Filipenses 2:12 

No livro de Jonas, vemos uma pessoa com direção clara de Deus para sua vida, para o cumprimento de seu propósito. Mas Jonas era arrogante tendo os conceitos deste mundo como absolutos, e não a vontade de Deus. 

No livro de Jonas, o mar simboliza o mundo e os conceitos do mundo. O mar são as sugestões e as certezas que o mundo oferece. Jonas engolido pela baleia simboliza ele sucumbido por sua arrogância, sem ter para onde fugir. Como analogia pode-se dizer que quando o orgulho entra nos pensamentos de uma pessoa, é como se uma baleia a engolisse, e em seu estômago, as enzimas vão  “dissolvendo-a” ainda vivas, sem ter para onde fugir.

Quando os conceitos do mundo e a arrogância estão fortes em uma pessoa, esta não entende o propósito de Deus para sua vida. Neste estado, caminha em direção à morte de seu propósito. É como se morresse afogado por seus próprios pensamentos, dentro da sua própria vontade, dentro da própria obstinação. 

“Mas os ímpios são como o mar bravo, porque não se pode aquietar, e as suas águas lançam de si lama e lodo”. Isaías 57:20

Outro exemplo bíblico de pessoa que em sua soberba foi sucumbida pelo mar, foi Faraó no Egito. Quando Deus envia Moisés para falar a Faraó deixar Seu povo ir, Faraó não aceita por causa de sua arrogância, e como consequência, Faraó morreu afogado em sua própria obstinação.

“Porque os cavalos de Faraó, com os seus carros e com os seus cavaleiros, entraram no mar, e o Senhor fez tornar as águas do mar sobre eles; mas os filhos de Israel passaram em seco pelo meio do mar”. Êxodo 15:19

“Mas derrubou a Faraó com o seu exército no Mar Vermelho; porque a sua benignidade dura para sempre”. Salmo 136:15

Algumas tempestade em nossas vidas vistas como juízo de Deus, são na verdade oportunidades de arrependimento, para que tenhamos a chance de entender o quão perigosos são os conceitos deste mundo (o mar). Exemplo disso, é o que aconteceu com Jonas, quando veio a tempestade sobre o barco usado por ele para fugir do propósito de Deus. “O Senhor, porém, fez soprar um forte vento sobre o mar, e caiu uma tempestade tão violenta que o barco ameaçava arrebentar-se.” (Jonas 1:4). 

O mar traz a arrogância com todos os conceitos deste mundo, com todas as suas afirmações, sofismas, sedução, o “eu posso”, “eu faço”, “eu controlo”, “eu tenho poder” sobre mim mesmo, sobre as circunstâncias, sobre o próximo. A tempestade mostra a mentira da arrogância, tirando a calmaria do mar, e mostrando que só há Um que tem o poder sobre todas as coisas: O Senhor Jesus Cristo. Isso acontece porque na calmaria do mar, parece que tudo vai dar certo, mas é em meio à tempestade do mar que entendemos que não temos controle, que nossas verdades são lixo, e só assim, temos a oportunidade de reconhecer os caminhos do Senhor como verdadeiros, nos arrependendo e clamando ao Senhor para levar-nos de volta ao nosso propósito. 

Neste caso, não é o coração que é duro, e sim a dureza da cerviz (pescoço que não se curva), ou seja, a pessoa que não submete seu entendimento ao Senhor. A arrogância (dura cerviz) vê a tempestade, e mesmo assim afirma “ eu estou certo, não tenho outro deus além de mim”. 

“Circuncidai, pois, o prepúcio do vosso coração, e não mais endureçais a vossa cerviz”. Deuteronômio 10:16

“Homens de dura cerviz, e incircuncisos de coração e ouvido, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim vós sois como vossos pais”. Atos 7:51

O arrogante diz “eu sou, eu me fortaleço, eu me desejo, eu me regozijo, eu sou o que sou e eu sou”. Em sua arrogância, ele se coloca como um deus, mas seus pensamentos não passam de areia debaixo dos pés, afundando-o nos conceitos deste mundo. Somente o Senhor é Rocha, e somente n’Ele nossos pés não vacilam.

“Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha; E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha. E aquele que ouve estas minhas palavras, e não as cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia; E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda”. Mateus 7:24-27

O mar é como uma lembrança da terra (aquilo que poderia ter sido), de um propósito que se afogou (humilhado): as estrelas não estão no céu mas na areia, os cavalos e seus cavaleiros se tornam cavalos marinhos minúsculos e lentos, as árvores são algas molengas. A terra para o mar é uma evidência para aqueles que estão presos em sua arrogância, de que existe terra firme, existe uma Rocha, existe esperança de uma vida que vale a pena. Existe uma promessa de que o Senhor resgata aqueles que estão presos no mais profundo do mar, no mais profundo abismo.

“Não és tu aquele que secou o mar, as águas do grande abismo? O que fez o caminho no fundo do mar, para que passassem os remidos?” Isaías 51:10

“Assim diz o Senhor, o que preparou no mar um caminho, e nas águas impetuosas uma vereda” Isaías 43:16

Voltando ao exemplo de Jonas, a baleia pode no fim tê-lo salvo, mas o objetivo era mostrar sua a arrogância e a consequência desta. Jonas dentro da baleia teve a consciência de alguém que não tinha para onde fugir, e que não morreria simplesmente afogado, mas seria corroído (enzimas digestivas da baleia) dentro dos seus próprios desejos e obstinação, dentro da sua própria raiva e amargura, vendo que não conseguia controlar seu próprio destino. Quando Jonas teve consciência de sua loucura em se levantar contra Deus (“fugir”), teve a chance de entender que existe um caminho e um propósito. 

A raiva de Jonas não era porque ele era profeta, mas sim porque ele não tinha misericórdia, era muito egoísta, e era guiado por seus desejos; ele era um deus em si mesmo. Jonas não era almático, nem mimado; ele se sentia dono da verdade, se fazendo como um deus dentro da suas vontades e desejos, alguém movido pela sua própria arrogância e auto satisfação. Jonas era alguém que julgava poder escolher quem deveria morrer ou viver, quem era merecedor de  misericórdia e quem não era. Ele não simplesmente discordava de Deus, ele tinha raiva de Deus, porque não conseguia ser Deus; porque se ele fosse Deus, ele agiria diferente. Jonas era um tolo, seu entendimento era corrompido pelos conceitos deste mundo. Ele não entendia o macro e nem queria entender. Ele não pensava nos outros e nem queria pensar. Ele pensava em si e seu desejo de vingança. Ele não tinha um conceito de família, de sociedade, do outro. Tudo era para si e por si. Ainda assim Deus o amava, e não se esquecia do propósito da vida dele. Deus poderia ter escolhido outro profeta, mas não o fez, para poder ensinar para Jonas a se importar, a entender sua pequenez, aprender a ter compaixão, aprender quem é Cristo e como Cristo é, para que Jonas pudesse ser salvo de sua arrogância e egoísmo, e conhecesse o Pai. 

Se Deus teve misericórdia de Nínive, porque não teria de Jonas. Deus é longânimo, e pergunta para Jonas “Você tem alguma razão para essa fúria?" (Jonas 4:4). Quando a aboboreira criado por Deus para ser sombra para Jonas morreu, Deus pergunta novamente “Você tem alguma razão para estar tão furioso por causa da planta? Respondeu ele: “Sim, tenho! E estou furioso a ponto de querer morrer’.” (Jonas 4:9) Deus mesmo responde o porquê da raiva de Jonas (Jonas 4: 9-11): é porque a vida daquela árvore não estava satisfazendo os desejos dele. A raiva de Jonas não é porque a árvore não cumprui o propósito, a raiva é porque ele queria controlar a árvore, para que a árvore vivesse eternamente em função dele, ele não queria o propósito da árvore, ele queria ser um deus, onde ele comandasse tudo em função dele, onde não existe o pensamento em relação ao próximo. Deus fez crescer aquela árvore ali para mostrar para Jonas o nível de seu orgulho e egoísmo. 

Deus é benigno e longânimo (Jonas 4:2). Jonas sabia disso, ele só não entendia que Deus também estava sendo benigno e longânimo para com ele, quando o enviou para pregar em Nínive. Deus também estava dando a chance de Jonas se arrepender de seu egoísmo e arrogância.

O sol escaldante, a crise da árvore morta em nossas vidas é para nos lembrar que não somos suficientes em nós mesmos, que nós não temos o poder do controle, que existe um propósito maior, que o mundo não é fundado na pequenez dos nossos pensamentos. Muitas situações difíceis vêm para nos acordar, para lembrar que existe um Deus e um propósito, para mostrar conceitos errados sobre a vida, sofismas e trazer esperança de se viver uma vida verdadeira, onde os propósitos se cumprem. 

“Porque eu bem sei os pensamentos que tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que esperais”. Jeremias 29:11

Em todo tempo, Deus estava dando uma chance para Jonas de se comportar como filho de Deus. Mas Jonas foge como um servo, vendo o propósito como um serviço. Entretanto, Deus estava  mostrando para Jonas que ele era tratado como filho, e como o coração de um filho deve ser para se cumprir seu propósito.


Geraldo Júnior e Valéria Morais
Transformados pela Renovação do Pensamento
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quarta-feira, 4 de abril de 2018

Orgulho como consequência da orfandade


A orfandade paterna hoje é uma das maiores, senão a maior ferida da humanidade. Nada tem um poder tão grande de destruir a personalidade, princípios, valores e identidade de uma pessoa do que a falta de um referencial paterno. Esta orfandade pode ocorrer tanto na forma física, com a ausência física de um pai; quanto na ausência emocional, com um pai presente fisicamente, mas sem compromisso, gerando órfãos conhecidos como órfãos de pais vivos, ou órfãos de pai presente.

Atualmente temos muitos estudos que comprovaram a imprescindibilidade de um referencial paterno na vida de uma pessoa, pois é o pai o responsável por ser referencial para o filho ter identidade, caráter, auto afirmação e convicção de quem ele é, e trazer também a base de princípios e valores onde é construída sua personalidade. O referencial de pai é tão imprescindível na vida de um filho, que um dos principais propósitos de Jesus foi nos revelar o Pai, e mostrar que não éramos órfãos, que tínhamos um Pai, o qual se revelava e se manifestava n’Ele. “Disse-lhe Jesus: Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai?” João 14:9

Conforme dito no início, as feridas e as consequências da orfandade são enormes, terríveis e várias. Mas neste texto quero me ater especificamente a uma dessas consequências, extremamente destrutiva para uma pessoa, e infelizmente muito comum dentro da orfandade. Estou falando do ORGULHO. Coloquei tudo maiúsculo de propósito, pois o orgulho é uma das piores deformidades da alma de um ser humano. É um comportamento que nos deixa profundamente distantes do caráter de Deus, da nossa verdadeira identidade e propósito. Sem falar que é um comportamento que traz muita destruição para a vida da própria pessoa e para todos que estão ao redor dela.

Mas como o orgulho passa a fazer parte da pessoa? Uma pessoa que não teve o referencial de pai, de caráter, de entendimento, a transmissão do DNA de entendimento de perspectiva da vida, de consciência de si, de honra no sentido de atitudes, não teve a base paterna para ter segurança em si mesmo; consequentemente terá problema de identidade.

O que quero dizer com problema de identidade? Significa que a ausência de paternidade gera uma ausência de convicção de princípios, de direção na vida; de maturidade em saber tanto acertar quanto errar, não saber firmar os pés no sentido de entendimento de si mesmo.

A pessoa que tem problema com paternidade (o pai não transferiu para ela uma identidade), desenvolve comportamento de orgulho como uma busca de auto afirmação daquilo que ela não tem, porque ela não tem onde firmar seus pés.

A arrogância surge como uma resposta de compensação: “eu não sei quem sou, mas tenho habilidade em ‘tal’ sentido”, então sou o que faço”. Como consequência a pessoa passa a se orgulhar daquilo que sabe fazer para compensar a ausência do “sei quem sou”.

Isso acontece porque a pessoa está perdida, não sabe diferenciar identidade (que viria transmitida pela paternidade) de habilidade (dom). O orgulhoso tem uma ferida em relação à paternidade: a dificuldade em saber sua identidade, e por isso precisa provar-se para si e para os outros, tentando passar uma imagem de ser forte. O orgulho faz com que a pessoa considere se importante demais para si mesmo.

O soberbo queria ter uma identidade forte, mas ele não tem. Se ele possuísse uma imagem forte de si mesmo, não precisaria se orgulhar. Perguntaram para Jesus se ele era servo de  Belzebu, mas ele não se ofendeu (Lucas 11:15); as pessoas o xingaram, cuspiram, falaram mal, difamaram, inventaram histórias sobre Jesus, mas nada o atingiu, porque Jesus tinha identidade, ele aprendeu do Pai quem ele era.

E, despindo-o, o cobriram com uma capa de escarlate; “E, tecendo uma coroa de espinhos, puseram-lha na cabeça, e em sua mão direita uma cana; e, ajoelhando diante dele, o escarneciam, dizendo: Salve, Rei dos judeus. E, cuspindo nele, tiraram-lhe a cana, e batiam-lhe com ela na cabeça. E, depois de o haverem escarnecido, tiraram-lhe a capa, vestiram-lhe as suas vestes e o levaram para ser crucificado”. Mateus 27:28-31

“Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado ao matadouro, e como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a sua boca.” Isaías 53:7

A pessoa com identidade não fica abalada quando seu orgulho é atingido. A pessoa que se abala é exatamente porque não tem identidade firmada, porque sua convicção está fundamentada no orgulho (preso a necessidade de ser o melhor em suas habilidades) e não em uma verdade.

O fundamento do orgulho pode ser comparado a se ter os pés na areia. Por mais que a pessoa imagine ter convicção sobre si mesmo, na verdade, aquilo é areia. Como o orgulho é uma compensação pela ausência de identidade, a pessoa sente a necessidade de amenizar o vazio da falta dessa identidade, se agarrando a tudo o que consegue fazer com desenvoltura, ficando com ego super inflado quando se sobressai nas situações. Mas esta é uma sensação que dura apenas alguns momentos, e logo em seguida sente-se quase que uma depressão e nisto a necessidade de ser aplaudido novamente. Entretanto, é impossível sobressair-se sempre.

A soberba desenvolve-se como um vício, uma dependência, e consequentemente uma oscilação emocional muito forte porque sempre tem que se estar certo, sempre tem que ser o poderoso, ser o que manda, acertar tudo; mas na vida é impossível que o “sempre” aconteça. Por isso é impossível sustentar o vício do orgulho elevado sem intervalos.

Mesmo que uma pessoa tenha áreas em sua vida que se destaque, ninguém consegue se destacar em tudo. Então é como se dentro da pessoa houvesse aqueles momentos de êxtase e os momentos de depressão. Ela vive os êxtases e as “pancadas das quedas”. É uma pessoa emocionalmente imatura e insegura, porque só sabe viver no êxtase. Tudo que abala este êxtase mexe com seu ego. Ou é uma pessoa que tem o domínio, ou sente-se em profunda frustração. Não existe meio termo. É realmente como um vício, a pessoa não sabe viver no meio termo. Ou a pessoa está eufórica, porque tudo saiu do jeito que ela queria, ou ela está “na mais profunda lama”.  Não sabe viver o contente em todas as circunstâncias da vida como nos ensina Bíblia: “Não estou dizendo isso porque esteja necessitado, pois aprendi a adaptar-me a toda e qualquer circunstância. Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade.” Filipenses 4:11-12

Como um vício, a arrogância pode desenvolver-se gradualmente e segundo as carências de cada um.

A questão do sentimento de depressão que a pessoa sente quando não está em êxtase, não se manifesta com o sentimento de querer morrer (ainda que possa acontecer), mas se manifesta como um sentimento de se sentir diminuído diante das outras pessoas (reputação). A pessoa não precisa estar numa posição tão abaixo, basta estar menos do que o auge. Mesmo que se esteja no mesmo nível de um grupo de pessoas, o sentimento de fracasso existirá, porque o orgulhoso sente necessidade de estar acima do grupo para ter o ego super elevado.

O ego do arrogante é desproporcional porque sua perspectiva é o ego, e não a realidade. O orgulhoso engana a si mesmo. Mesmo que existam áreas em sua vida que tenha facilidade, o soberbo engana a si mesmo, crendo que ele tem facilidade em tudo. Mas Deus não nos criou para termos facilidade em tudo, nos criou como corpo, para que os dons de cada um se completem.

“O olho não pode dizer à mão: Eu não preciso de ti; nem a cabeça aos pés: Não necessito de vós. Antes, pelo contrário, os membros do corpo que parecem os mais fracos, são os mais necessários. E os membros do corpo que temos por menos honrosos, a esses cobrimos com mais decoro. Os que em nós são menos decentes, recatamo-los com maior empenho, ao passo que os membros decentes não reclamam tal cuidado. Deus dispôs o corpo de tal modo que deu maior honra aos membros que não a têm, para que não haja dissensões no corpo e que os membros tenham o mesmo cuidado uns para com os outros.
Se um membro sofre, todos os membros padecem com ele; e se um membro é tratado com carinho, todos os outros se congratulam por ele. Ora, vós sois o corpo de Cristo e cada um, de sua parte, é um dos seus membros”. 1 Coríntios 12:21-27

O orgulhoso tem uma vida de frustrações: de altos e baixos; sendo emocionalmente instáveis.

Como em um vício, o fator destrutivo também aparece, tanto se auto destruindo como destruindo tudo à sua volta (família, amizades, emprego...). Destrói qualquer coisa para manter o vício.

Quando Deus fala de orgulho na Bíblia, a entidade que Ele mostra para representar o orgulho (Leviathan) mora no mar. “Naquele dia o SENHOR castigará com a sua dura espada, grande e forte, o leviatã, serpente veloz, e o leviatã, a serpente tortuosa, e matará o dragão, que está no mar.”  (Isaías 27:1). O mar nos dá a analogia perfeita de como é a vida de quem vive no orgulho. No mar não há firmeza, é tudo muito instável. O fundamento do mar é areia. Quando se acha que há paz e estabilidade, uma onda, uma tempestade ou uma correnteza vem e acaba com tudo aquilo, trazendo medo, raiva, instabilidade, angústia e insegurança. Dentro do mar não se vive a verdade, não precisa ter equilíbrio, não precisa e nem consegue se firmar em nada, não sente ou sofre a gravidade, não sente ou sofre os desafios de um ser humano em terra. No mar é impossível desenvolver a natureza humana. Por isso a pessoa perde sua identidade, propósito e natureza.

Usando a analogia bíblica do mar pode-se dizer que o arrogante tem sua vida e suas emoções como de quem “vive” no mar: ondas, correntezas, dificuldade de se locomover andando, sensação de peso quando se sai da água (sair da água simboliza ir para vida real). Quando vem uma ventania, as ondas se agitam e no agitar delas, elas o carrega. Mas ao mesmo tempo, sensação de leveza quando se está dentro d`água. O mar é um bom exemplo porque ele confunde muito, tira o referencial das sensações da realidade na terra (vida).

No mar não conseguimos ter domínio sobre nós mesmos porque vem uma correnteza e nos muda de posição. É a analogia de se alcançar uma posição de destaque e depois aparecer uma situação em que se perde a posição alcançada. Sempre existe “um peixe maior”, sempre vai aparecer alguém que se destaca mais, que tem mais facilidade.

O orgulhoso tem muita dificuldade de relacionamento, porque sempre tem que ser exaltado nas situações e quando não o é, fica extremamente irritado, porque se sente humilhado, agredido.

Por não estar firmado em terra, na rocha, o viciado em orgulho não sente as dificuldades da vida como algo normal, ele percebe tudo como uma pancada, uma agressão pessoal; tudo entra arrebentando, tudo desmorona a pessoa. Ao perceber essa instabilidade da vida, começa a achar que Deus é injusto. Quando aparece alguém que faz algo de forma tão boa quanto o orgulhoso, ou alguém consegue algo que o arrogante estava tentando e não conseguia; tudo é como uma correnteza que vem e carrega suas emoções, fazendo perder a estabilidade. A percepção da frustração em relação à situação resulta em fúria e violência.

Mas ninguém precisa viver para sempre preso ao sentimento de orgulho! Deus é Pai, e em Cristo Ele nos adotou, nos fazendo filhos: “Em amor nos predestinou para sermos adotados como filhos por meio de Jesus Cristo, conforme o bom propósito da sua vontade,” (Efésios 1:5). Mesmo que alguém não tenha tido um pai terreno para lhe transmitir identidade, (seja essa ausência física, afetiva ou de compromisso) Deus entra em nossas vidas para fazer isso, porque a identidade sempre vem pelo pai.


Mas o processo de Deus restaurar a identidade do soberbo é um processo complicado porque o orgulhoso já está armado em sua arrogância e entende o cuidado de Deus como uma agressão. O orgulhoso tem uma carapaça que precisa ser tirada para que seu caráter possa ser impresso, sua identidade.

O arrogante tem muita raiva de Deus (seja isso consciente ou não), porque Deus não tem compromisso em manter o ego, arrogância, soberba e reputação da pessoa, mas tem compromisso com o propósito e a identidade dela. O orgulhoso vive o conflito interno do vício do orgulho tentando ser mantido, a raiva da ausência da paternidade, as pernas vacilantes por não ter fundamento. A pessoa sente como se na vida, tudo e todos estivessem contra ela. Por seus pés estarem apoiados na areia, nunca se estabiliza para andar, está sempre sentindo como se fosse levado pelas correntezas; e essas correntezas sempre são percebidas como agressão recebida e retribuída com violência. O orgulhoso está sempre nervoso, agitado; mesmo que tudo esteja bem, ele tem a oscilações de temperamento: num momento está tudo bem, mas qualquer informação, qualquer coisa que aconteça, podendo ser uma conversa, algo que viu, qualquer coisa vai abalar aquele sentimento do orgulho e o soberbo cai no fundo do poço. Não tem um meio termo, a todo tempo está enganando a si mesmo sem ter consciência disso.

Quando o Pai tentar tirar o orgulhoso de dentro das águas da correnteza, o arrogante sentirá um peso terrível, e vai se perguntar porque não pode viver dentro da água. Quando sai d’água, sente ódio de Deus, não entende porque não pode ter tudo o que quer, sem ter que mudar sua referência de como enxerga as coisas. É uma luta do Pai tentando puxar a pessoa para vida, imprimir uma identidade, ser Pai ativo e presente, mostrando a vida como ela deveria ser.

Tudo que Deus faz como Pai para dar identidade, para conferir o propósito verdadeiro, o orgulhoso lutará contra porque seus valores são divergentes. O propósito do orgulhoso é sustentar o orgulho e não o propósito pelo qual nasceu. O trabalhar de Deus na vida do soberbo será como uma desintoxicação do vício do orgulho, onde os sintomas da desintoxicação serão sentidos pela pessoa.

Quando a pessoa tem identidade, ela sabe quem ela é, o que significa ter um conjunto de valores dado por Deus (seja a pessoa cristã ou não). Não é um conjunto de habilidades que desenvolve um propósito da vida, mas é um conjunto de valores que nos leva o propósito.

O filho que entende os valores dados por Deus para sua vida, se desenvolve e cumpre o seu propósito. O próprio propósito impulsiona a pessoa no caminho que ela deve andar, e para que ela cumpra o propósito, Deus lhe dá um conjunto de habilidades. Não é o orgulho que a impulsiona, são os valores que a impulsiona. É algo que não se pode reter, é o fruto que frutifica.

O orgulhoso precisa ser esvaziado, porque colocou o orgulho no lugar da identidade. A guerra e o ódio contra Deus realmente é intenso. Os valores de Deus são considerados desprezíveis, porque Deus mexe com os fundamentos errados que o motivam (o orgulho). Deus coloca evidente a areia debaixo dos pés para despertar, mostrar os fundamentos de areia do orgulho. Nisto Deus está dando uma chance para levá-lo para vida. Deus está tirando-o do vício, para que a pessoa possa viver, ter uma vida de verdade, tenha o Pai, uma identidade, um propósito. Glória a Deus, Ele nunca desiste do filho que ama.


Geraldo Júnior e Valéria Morais
Transformados pela Renovação do Pensamento
https://renovacaodopensamento.blogspot.com.br/

domingo, 19 de julho de 2015

Livres para ser como Cristo


É muito fácil nosso entendimento ser corrompido e, ao mesmo tempo, é muito difícil depois dele desalinhado, voltar a alinha-lo, pois aquele aprendizado torna-se algo comum, algo cultural. Um exemplo disso é que hoje, a primeira ideia quando se fala em ser Cristão é: “O que eu posso ou não posso fazer?” ou “O que tenho de deixar de ser ou fazer para me tornar um Cristão, ou um bom Cristão”. Esse pensamento não corresponde ao que está escrito no evangelho. 

Analisando a vida de Jesus, sua missão e propósito, percebemos que ele não andava segundo o certo ou errado da cultura dos religiosos da época. Jesus veio nos libertar do pecado, e realmente o fez (“O qual se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniqüidade, e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras.” Tito 2:14), mas isso foi apenas o meio para que se cumprisse o seu principal propósito: Nos transformar em filhos de Deus com a natureza de Cristo. Jesus foi o primeiro de muitos irmãos, e sendo Ele sempre livre, fez de nós seus irmãos também livres para manifestar a natureza de Cristo, a natureza de filhos de Deus. 

Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. (Romanos 8:29)
Isso é bom e agradável perante Deus, nosso Salvador, que deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade. (1 Timóteo 2:3-4).
E o que é a verdade? A verdade é Cristo! Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim. (João 14:6)

                                   

Nós não expressamos a Deus simplesmente não pecando, mas sim a medida em que conhecemos a Cristo e somos transformados a sua Imagem. 
Enquanto nossa referência de vida for lutar simplesmente para não pecar estaremos presos e perdidos, pois nunca nos tornaremos semelhantes a Cristo. A natureza de Cristo não fala daquele que apenas não peca, mas daquele que é parecido com o Pai, daquele que dá a vida pelos seus, daquele que não vive mais em favor de si mesmo, mas em favor dos relacionamentos e das pessoas. 

Se, porém, andamos na luz, como ele está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado. (1 João 1:7)

Cristo nos fez livres do pecado, para sermos livres no verdadeiro propósito, sermos parecidos com Ele. 


Geraldo Júnior e Valéria Morais 
Transformados pela Renovação do Pensamento

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

O irmão do filho pródigo

Quando falamos da passagem do filho pródigo (Lucas 15:11-32) vemos dois irmãos com corações e comportamentos totalmente diferentes, mas um mesmo sofisma muito perigoso: acreditavam que o Pai tratava seus filhos segundo seus comportamentos, segundo o certo e o errado, merecimento e aprovação.

Isso explica o filho pródigo voltar para casa pedindo para não ser mais tratado como filho e sim como empregado, e também explica a indignação do filho mais velho quando o filho pródigo voltou e foi recebido com honraria depois de perder toda herança com futilidades. O filho mais velho ficou tão indignado, que seu Pai teve que lembrá-lo que tudo que era seu, era dele também, inclusive a sua constante presença. A reação do Pai diante dos dois filhos deixa bem claro que não existe predileção entre os filhos! Contudo, obviamente os filhos são tratados de forma diferente, mas não dentro de uma justiça pelo comportamento (como o filho mais velho queria, ou o filho pródigo achava que merecia), e nem dentro de uma predileção. 

Deus quer nos ensinar que Ele não nos trata segundo “nossa” justiça própria. Mesmo sendo iguais perante Deus, todos somos diferentes uns dos outros, com necessidades diferentes e com propósitos diferentes. Deus cuida de nós segundo as nossas diferenças e propósitos específicos. O filho pródigo cria que merecia ser desonrado, castigado, humilhado e rejeitado; e o filho mais velho por nunca ser “honrado” como queria por ser todo “certinho”, achava que seria justo o filho pródigo ser desonrado, castigado, humilhado e rejeitado. 

O interessante é que quando o Pai quebra o sofisma da “justiça própria” de ambos os filhos, o significado para o filho pródigo é a redenção, mas para o filho mais velho é INVEJA! 

Essa é a raiz de toda inveja, a justiça própria. Esse sofisma de que as pessoas devem ser tratadas segundo seu comportamento, suas falhas e acertos, e que Deus deve tratá-las de forma igual, mesmo com propósitos e necessidades diferentes, gera sentimento de injustiça para quem vê Deus sendo misericordioso para com o outro e esse sentimento resulta em raiz de inveja. 

É assim que as pessoas sentem inveja: olham os outros e vêm suas falhas, defeitos, pecados, e depois olham para essas mesmas pessoas e vêm sua felicidade, conquistas e etc.; e se sentem injustiçadas, e por isso sentem inveja. 

Mas o Pai explicou para o filho mais velho, que ele não tinha a honraria que tanto queria porque não precisava, quem precisava era o filho pródigo para cumprir o propósito dele se sentir filho. O filho mais velho já tinha tudo aquilo que precisava, e isso era justo. Isso é o que precisamos entender: Deus tratar as pessoas segundo suas diferenças é justo e bom. Se entendermos isso, conseguiremos nos alegrar com o que o Pai faz na vida dos nossos irmãos, e conseguiremos enxergar aquilo que Ele faz na nossa vida. 


Geraldo Júnior e Valéria Morais
Transformados pela Renovação do Pensamento

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

O Cisco, a Trave e a Arrogância

"Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão, e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho?” (Mateus 7:3) 

Quando julgamos e/ou criticamos alguma pessoa, estamos implicitamente dizendo, que dentro daquele contexto, estamos acima daquela pessoa, somos superiores a ela, não sofremos daquele “problema”, “defeito” ou “falha”; e por isso, nos consideramos no direito de julgar aquela pessoa. Isso significa que na atitude de julgar, elevamos a nós mesmos acima de quem julgamos, e de cima para baixo exercemos o nosso “poder”, nossa “justiça”, a justiça própria. 

Na Bíblia, tem um anjo que caiu do céu exatamente por esse pensamento/comportamento: 
“Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor; por terra te lancei, diante dos reis te pus, para que olhem para ti.” (Ezequiel 28:17). 
Você que dizia no seu coração: "Subirei aos céus; erguerei o meu trono acima das estrelas de Deus; eu me assentarei no monte da assembléia, no ponto mais elevado do monte santo. 
Subirei mais alto que as mais altas nuvens; serei como o Altíssimo". (Isaías 14:13-14)
Pois é, julgar ao próximo é exatamente o mesmo pensamento do próprio Lúcifer. Realmente é algo muito sério! 

A arrogância é o fundamento do homem julgando/criticando o homem (obviamente não estou falando da justiça e das leis dos homens). A arrogância separa as pessoas. O arrogante, usa a sua sabedoria (que pode até ser legítima) para gerar mais distanciamento entre ele e quem ele julga não tão sábio, potencializando a diferença entre ele e a outra pessoa. Já o humilde, usa sua sabedoria para aproximar as pessoas, usando essa sabedoria para ensinar a que não é tão sábia, diminuindo a barreira de separação, e gerando aproximação. 

Temos muita facilidade em exercer o dedo acusador, exercer a justiça própria, nos colocando acima, e nos julgando resolvidos, prontos e perfeitos, nem que seja naquela circunstância específica. Quando fazemos isso, Deus nos mostra o nosso problema é até maior, pois estamos expressando toda nossa arrogância: 
"Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão, e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho?” (Mateus 7:3) 
“Pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem, também será usada para medir vocês” (Mateus 7:2). 

Quando julgamos as pessoas, estamos julgando a nós mesmo. 

Jesus Cristo é nossa referência sobre o não julgar: 
"Se alguém ouve as minhas palavras, e não as guarda, eu não o julgo. Pois não vim para julgar o mundo, mas para salvá-lo."  (João 12:47)
Se Cristo, sendo plenamente homem, mas também plenamente Deus, não veio para nos julgar, como podemos nos colocar nessa posição? 

Mas é preciso entender que somente não julgando, ainda não refletimos o coração de Deus, e nem somos parecidos com Cristo. Veja que no versículo acima, Jesus também diz que veio para salvar. Mas como nós podemos salvar as pessoas dentro deste processo de não julgar? Podemos fazer isso nos aproximando delas: “Porque eu quero a misericórdia, e não o sacrifício; e o conhecimento de Deus, mais do que os holocaustos” (Oséias 6:6). Deus não quer simplesmente o nosso “sacrifício” de não julgar as pessoas por suas imperfeições, falhas, erros e etc, o que Deus quer é que tenhamos misericórdia e compaixão. “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim” (Lamentações 3:22). Portanto como filhos de Deus, esse é coração que Ele quer que tenhamos em relação às pessoas: não simplesmente um coração que não julga, mas sim um coração que seja infinitamente misericordioso e compassivo, não nos distanciando, mas nos aproximando delas. 

Jesus nos deixou vários exemplos de não julgar e ter misericórdia, entre eles, está o exemplo abaixo: 

E os escribas e fariseus trouxeram-lhe uma mulher apanhada em adultério; 
E, pondo-a no meio, disseram-lhe: Mestre, esta mulher foi apanhada, no próprio ato, adulterando. 
E na lei nos mandou Moisés que as tais sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes? 
Isto diziam eles, tentando-o, para que tivessem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia com o dedo na terra. 
E, como insistissem, perguntando-lhe, endireitou-se, e disse-lhes: Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela. 
E, tornando a inclinar-se, escrevia na terra. 
Quando ouviram isto, redargüidos da consciência, saíram um a um, a começar pelos mais velhos até aos últimos; ficou só Jesus e a mulher que estava no meio. 
E, endireitando-se Jesus, e não vendo ninguém mais do que a mulher, disse-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? 
E ela disse: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais. (João 8:3-11)

Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia. (Mateus 5:7)


Geraldo Júnior e Valéria Morais 
Transformados pela Renovação do Pensamento