Dito isto, é preciso falar sobre uma “epidemia” que tem assolado a sociedade, e destruído famílias inteira: o descontrole emocional. Hoje vivemos uma epidemia de pessoas entregues às suas emoções, temperamentos agressivos, intimidadores, violentos por não suportarem frustrações e desconfortos. E não estou falando sobre o que vemos na tv todos os dias. A verdadeira epidemia dessa cultura se manifesta dentro de casa, na família, escondido dos olhos de todos, e onde tem o potencial de causar mais destruição. Essa é uma destruição silenciosa, que muitas vezes passa despercebida à sociedade, mas é real e catastrófica, tanto individualmente quanto para nossas famílias.
Há uma passagem na Bíblia que nos conta a história de um homem que se entregou totalmente a seu descontrole emocional.
“Eles atravessaram o mar e foram para a região dos gerasenos. Quando Jesus desembarcou, um homem com um espírito imundo veio dos sepulcros ao seu encontro. Esse homem vivia nos sepulcros, e ninguém conseguia prendê-lo, nem mesmo com correntes; pois muitas vezes lhe haviam sido acorrentados pés e mãos, mas ele arrebentara as correntes e quebrara os ferros de seus pés. Ninguém era suficientemente forte para dominá-lo. Noite e dia ele andava gritando e cortando-se com pedras entre os sepulcros e nas colinas.
Quando ele viu Jesus de longe, correu e prostrou-se diante dele, e gritou em alta voz: ‘Que queres comigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Rogo-te por Deus que não me atormentes!’ Pois Jesus lhe tinha dito: ‘Saia deste homem, espírito imundo!’ Então Jesus lhe perguntou: ‘Qual é o seu nome?’
‘Meu nome é Legião’, respondeu ele, ‘porque somos muitos.’
Quando se aproximaram de Jesus, viram o homem, que havia sido possuído pela legião de demônios, sentado, vestido e em perfeito juízo, e ficaram com medo." (Marcos 5:1-10 e 15)
“Quando Jesus estava entrando no barco, o homem que estivera endemoninhado suplicava-lhe que o deixasse ir com ele. Jesus não o permitiu, mas disse: ‘Vá para casa, para a sua família e anuncie-lhes quanto o Senhor fez por você e como teve misericórdia de você’ ”. (Marcos 5:18)
Nessa passagem da Bíblia, vemos o retrato final de uma pessoa que viveu governada por suas emoções, e seu descontrole emocional: violento, agressivo. O livro de Mateus também conta essa história e diz que aquele homem era tão feroz, que ninguém podia passar próximo a ele (Mt 8:28). Nenhuma corrente podia prendê-lo, pois arrebentava todas, ou seja, em sua justiça própria, cria que tinha o direito de ser daquele jeito, fazer o que quisesse. Em sua mente, cria que podia viver daquela maneira, e que todos que tentassem pará-lo, estavam querendo na verdade escravizá-lo. Outra observação sobre aquele homem é que ele vivia em sepulcros, ou seja, lugares de morte e isolamento. Tudo na vida dele morreu: sua verdadeira identidade, sua verdadeira personalidade, seu propósito, sua família, seus relacionamentos, enfim… tudo morreu. O detalhe é que no versículo 18, mostra que esse homem não é um ninguém, não é um vadio arruaceiro que acabou daquele jeito. Não… Ele era alguém que tinha família! Tanto ele quanto a sua família estavam destruídos como consequência do descontrole emocional de um de seus membros.
Não existe outro fim para todos que aceitam viver entregues às suas emoções, ao descontrole emocional, à violência e à agressividade. Como todo pecado a consequência é a morte, nesse caso, veremos a morte da própria alma, do propósito e da família.
Mas não precisa ser assim! O primeiro e grande problema que é necessário ser enfrentado, é essa mentira cultural de que as pessoas são assim porque nasceram assim, e que isso é traço de personalidade, ou algum tipo de defeito que a pessoa já nasceu dessa forma. A verdade é que Deus nos fez para termos domínio próprio, para governar nossas vontades e emoções.
“Então, o Senhor disse a Caim: ― Por que você está irado? Por que desfaleceu o seu semblante? Se você fizer o bem, não se levantará? Se, porém, não o fizer, saiba que o pecado o espreita à porta; ele deseja governá‑lo, mas você deve dominá‑lo.” (Gênesis 4:6-7)
“Entretanto, o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Contra essas coisas não há lei. Os que pertencem a Cristo Jesus crucificaram a carne com as suas paixões e os seus desejos.” (Gálatas 5:22-24)
Deus jamais criaria uma personalidade que gera medo, dor, insegurança e abuso emocional nas pessoas que estão à nossa volta. Muito pelo contrário, quando vemos os frutos do Espírito não encontramos nada parecido com isso. O primeiro passo é entender que isso não é normal, e que todo esse comportamento injusto, é pecado! Depois é preciso haver arrependimento genuíno desse comportamento, entendendo suas consequências para nós e nossa família, pois os mais próximos geralmente são aqueles que mais sofrem a injustiça desse pecado.
Contudo é preciso ressaltar outro fator sobre isso. Muitas pessoas já deram esse passo. Tiveram consciência do pecado, da injustiça, da dor e do sofrimento que causam à sua família. Já viram o poder de destruição agindo em sua vida e em seu lar, e já estão lutando para cessar essa injustiça. Mas mesmo assim, continuam escravos de seu temperamento agressivo e violento, e mesmo lutando, continua ferindo aqueles que amam.
É aí que entendemos porque Jesus perguntou o nome do espírito imundo que estava naquele homem gadareno. O espírito imundo respondeu que se chamava Legião, pois eram muitos. Essa é a chave para entendermos o porquê muitas vezes é tão difícil lutar contra esse descontrole emocional, que escraviza nossa alma, nos machuca e fere aqueles que amamos. O demônio se chama Legião, pois as razões que nos levam a esse comportamento são muitas. Cada pessoa possui uma história, marcas, traumas, dores, sofismas, princípios quebrados e muitos outros motivos que o levaram a ter uma personalidade tão instável, a ponto disso se tornar uma escravidão tão forte, que mesmo lutando, não consegue ser completamente livre.
É nesse momento que nos resta apenas o clamor por uma intervenção sobrenatural de Jesus, como aquele homem que não tinha mais nenhum recurso para lutar, e tudo já estava perdido. Mas pela misericórdia de Deus, o Senhor Jesus interveio, restaurou sua liberdade e o devolveu sadio (equilibrado) à sua família. Jesus não permitiu que aquele homem o seguisse, porque Jesus não estava olhando apenas para ele, mas para sua família também. Jesus disse para ele ir para sua família porque o processo de cura deveria continuar, o testemunho de mudança seria a cura para todos. Jesus está interessado em restaurar a todos.
Alguns pecados são mais simples de resolver, mas outros são como legiões a serem vencidos… Cada passo que damos, aceitando que aquela forma de ser não é normal, nos arrependermos e pedirmos perdão, gera uma mudança importante no processo de transformação. É um passo de cada vez, mas sim, Jesus traz a cura, tanto individualmente quanto para nossa família.
Geraldo Júnior e Valéria Morais
Transformados pela Renovação do Pensamento
https://renovacaodopensamento.blogspot.com.br/





