diHITT - Notícias Transformados pela Renovação do Pensamento: outubro 2026

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Agressividade

Tanto no Antigo Testamento, como no Novo Testamento, a Bíblia sempre deixou muito claro para não nos misturarmos com a cultura iníqua dos outros povos. Paulo enfatiza: “Não se amoldem ao padrão deste mundo…" (Rm 12:2). Formas de pensar, crenças e comportamentos iníquos que sutilmente vão se incorporando na cultura, até se tornar tão normal que ninguém percebe mais. Quando isso acontece as consequências são enormes, tanto na vida pessoal, quanto na sociedade em que está inserida. Depois da cultura contaminada estabelecida, desfazer isso se torna muito difícil, pois o que não era para ser visto como normal, passa a ser o novo “normal”.

Dito isto, é preciso falar sobre uma “epidemia” que tem assolado a sociedade, e destruído famílias inteira: o descontrole emocional. Hoje vivemos uma epidemia de pessoas entregues às suas emoções, temperamentos agressivos, intimidadores, violentos por não suportarem frustrações e desconfortos. E não estou falando sobre o que vemos na tv todos os dias. A verdadeira epidemia dessa cultura se manifesta dentro de casa, na família, escondido dos olhos de todos, e onde tem o potencial de causar mais destruição. Essa é uma destruição silenciosa, que muitas vezes passa despercebida à sociedade, mas é real e catastrófica, tanto individualmente quanto para nossas famílias.



O descontrole emocional se manifesta principalmente na fala de forma agressiva, violenta e intimidadora; mas infelizmente pode sim se transformar em violência física. Apesar de ser um comportamento que se manifesta tanto em homens quanto mulheres, percebe-se que é algo que acomete mais os homens. Mesmo o descontrole emocional sendo restrito à fala, as consequências causadas aos familiares são devastadoras, gerando principalmente muito medo, dor, angústia e insegurança. Rouba a confiança e intimidade do casal. Destroi o referencial e segurança dos filhos. Isso só para citar algumas consequências. Quanto mais tempo esse abuso persiste (sim, isso é um abuso emocional), mais se intensifica no cônjuge e filhos o sentimento de revolta, injustiça, medo, dor e muitos outros sentimentos. Até que toda confiança, intimidade e proximidade em relação à pessoa do descontrole emocional se perca. É aí que entra a segunda fase de consequências: o isolamento. Os entes daquela família estão tão quebrados, machucados, que torna-se insustentável qualquer tipo de relacionamento que não seja o mínimo necessário. A pessoa do descontrole emocional, apesar de ver as consequências, sente-se injustiçado e rejeitado, pois acha que seu comportamento é “só a sua personalidade forte”, reforçando ainda mais seu descontrole emocional e isolamento.


Há uma passagem na Bíblia que nos conta a história de um homem que se entregou totalmente a seu descontrole emocional.


“Eles atravessaram o mar e foram para a região dos gerasenos. Quando Jesus desembarcou, um homem com um espírito imundo veio dos sepulcros ao seu encontro. Esse homem vivia nos sepulcros, e ninguém conseguia prendê-lo, nem mesmo com correntes;  pois muitas vezes lhe haviam sido acorrentados pés e mãos, mas ele arrebentara as correntes e quebrara os ferros de seus pés. Ninguém era suficientemente forte para dominá-lo.  Noite e dia ele andava gritando e cortando-se com pedras entre os sepulcros e nas colinas.

 Quando ele viu Jesus de longe, correu e prostrou-se diante dele,  e gritou em alta voz: ‘Que queres comigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Rogo-te por Deus que não me atormentes!’ Pois Jesus lhe tinha dito: ‘Saia deste homem, espírito imundo!’ Então Jesus lhe perguntou: ‘Qual é o seu nome?’

‘Meu nome é Legião’, respondeu ele, ‘porque somos muitos.’

Quando se aproximaram de Jesus, viram o homem, que havia sido possuído pela legião de demônios, sentado, vestido e em perfeito juízo, e ficaram com medo." (Marcos 5:1-10 e 15)


“Quando Jesus estava entrando no barco, o homem que estivera endemoninhado suplicava-lhe que o deixasse ir com ele.  Jesus não o permitiu, mas disse: ‘Vá para casa, para a sua família e anuncie-lhes quanto o Senhor fez por você e como teve misericórdia de você’ ”.  (Marcos 5:18)


Nessa passagem da Bíblia, vemos o retrato final de uma pessoa que viveu governada por suas emoções, e seu descontrole emocional: violento, agressivo. O livro de Mateus também conta essa história e diz que aquele homem era tão feroz, que ninguém podia passar próximo a ele (Mt 8:28). Nenhuma corrente podia prendê-lo, pois arrebentava todas, ou seja, em sua justiça própria, cria que tinha o direito de ser daquele jeito, fazer o que quisesse. Em sua mente, cria que podia viver daquela maneira, e que todos que tentassem pará-lo, estavam querendo na verdade escravizá-lo. Outra observação sobre aquele homem é que ele vivia em sepulcros, ou seja, lugares de morte e isolamento. Tudo na vida dele morreu: sua verdadeira identidade, sua verdadeira personalidade, seu propósito, sua família, seus relacionamentos, enfim… tudo morreu. O detalhe é que no versículo 18, mostra que esse homem não é um ninguém, não é um vadio arruaceiro que acabou daquele jeito. Não… Ele era alguém que tinha família! Tanto ele quanto a sua família estavam destruídos como consequência do descontrole emocional de um de seus membros.


Não existe outro fim para todos que aceitam viver entregues às suas emoções, ao descontrole emocional, à violência e à agressividade. Como todo pecado a consequência é a morte, nesse caso, veremos a morte da própria alma, do propósito e da família.


Mas não precisa ser assim! O primeiro e grande problema que é necessário ser enfrentado, é essa mentira cultural de que as pessoas são assim porque nasceram assim, e que isso é traço de personalidade, ou algum tipo de defeito que a pessoa já nasceu dessa forma. A verdade é que Deus nos fez para termos domínio próprio, para governar nossas vontades e emoções.


“Então, o Senhor disse a Caim: ― Por que você está irado? Por que desfaleceu o seu semblante? Se você fizer o bem, não se levantará? Se, porém, não o fizer, saiba que o pecado o espreita à porta; ele deseja governá‑lo, mas você deve dominá‑lo.” (Gênesis 4:6-7)


“Entretanto, o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Contra essas coisas não há lei. Os que pertencem a Cristo Jesus crucificaram a carne com as suas paixões e os seus desejos.” (Gálatas 5:22-24)


Deus jamais criaria uma personalidade que gera medo, dor, insegurança e abuso emocional nas pessoas que estão à nossa volta. Muito pelo contrário, quando vemos os frutos do Espírito não encontramos nada parecido com isso. O primeiro passo é entender que isso não é normal, e que todo esse comportamento injusto, é pecado! Depois é preciso haver arrependimento genuíno desse comportamento, entendendo suas consequências para nós e nossa família, pois os mais próximos  geralmente são aqueles que mais sofrem a injustiça desse pecado.


Contudo é preciso ressaltar outro fator sobre isso. Muitas pessoas já deram esse passo. Tiveram consciência do pecado, da injustiça, da dor e do sofrimento que causam à sua família. Já viram o poder de destruição agindo em sua vida e em seu lar, e já estão lutando para cessar essa injustiça. Mas mesmo assim, continuam escravos de seu temperamento agressivo e violento, e mesmo lutando, continua ferindo aqueles que amam.


É aí que entendemos porque Jesus perguntou o nome do espírito imundo que estava naquele homem gadareno. O espírito imundo respondeu que se chamava Legião, pois eram muitos. Essa é a chave para entendermos o porquê muitas vezes é tão difícil lutar contra esse descontrole emocional, que escraviza nossa alma, nos machuca e fere aqueles que amamos. O demônio se chama Legião, pois as razões que nos levam a esse comportamento são muitas. Cada pessoa possui uma história, marcas, traumas, dores, sofismas, princípios quebrados e muitos outros motivos que o levaram a ter uma personalidade tão instável, a ponto disso se tornar uma escravidão tão forte, que mesmo lutando, não consegue ser completamente livre.


É nesse momento que nos resta apenas o clamor por uma intervenção sobrenatural de Jesus, como aquele homem que não tinha mais nenhum recurso para lutar, e tudo já estava perdido. Mas pela misericórdia de Deus, o Senhor Jesus interveio, restaurou sua liberdade e o devolveu sadio (equilibrado) à sua família. Jesus não permitiu que aquele homem o seguisse, porque Jesus não estava olhando apenas para ele, mas para sua família também. Jesus disse para ele ir para sua família porque o processo de cura deveria continuar, o testemunho de mudança seria a cura para todos. Jesus está interessado em restaurar a todos.


Alguns pecados são mais simples de resolver, mas outros são como legiões a serem vencidos… Cada passo que damos, aceitando que aquela forma de ser não é normal, nos arrependermos e pedirmos perdão, gera uma mudança importante no processo de transformação. É um passo de cada vez, mas sim, Jesus traz a cura, tanto individualmente quanto para nossa família. 


Geraldo Júnior e Valéria Morais

Transformados pela Renovação do Pensamento

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